Frentistas
de Mato Grosso do Sul e de todo Brasil convivem com um inimigo mortal que age
lentamente na vida de trabalhadores em postos de combustíveis, especialmente
frentistas que manuseiam diretamente os combustíveis (gasolina, álcool e
diesel) que têm em sua composição esse produto considerado altamente
cancerígeno e que comprovadamente foi responsável pela morte do frentista
Gilberto Filiu, em junho do ano passado em Dourados. O problema maior é que
muitos profissionais do setor podem estar contaminados por esse e outros
produtos químicos.
Diante
da gravidade do problema, que é de difícil diagnóstico, o Sindicato dos
Empregados em Postos de Serviços e Derivados de Petróleo do Estado de Mato
Grosso do Sul - SINPOSPETRO/MS encomendou um estudo sobre o problema dos
hidrocarbonetos (etil benzeno, xileno, tolueno e também o benzeno) na vida dos
trabalhadores em postos de combustíveis do Estado.
"A
presença dos hidrocarbonetos, em especial o benzeno, na vida diária das pessoas
que trabalham em postos de combustíveis, inclusive aqueles que estão mais
distantes das bombas, pois também podem ser contaminados, nos preocupa muito e
como liderança sindical temos feito alertas constantes e lutado também por
aposentadoria especial de nossos profissionais", comentou Gilson da Silva
Sá, presidente do Sinpospetro/MS.
Albertoni
Martins da Silva Júnior, engenheiro de segurança do trabalho, especialista em
higiene ocupacional pela Poli/USP e especialista técnico HAZMAT pela
Universidade do Texas - USA e perito de insalubridade e periculosidade da
Justiça do Trabalho, é quem está fazendo um estudo sobre os hidrocarbonetos em
meio aos trabalhadores em postos de combustíveis do Estado.
Segundo
o engenheiro, "muitos autores já estudaram a correlação entre câncer
escrotal e câncer de pele, em trabalhadores expostos durante anos a vários
agentes contendo hidrocarbonetos. Atualmente já é aceita como principal fonte
de agente cancerígeno a presença de hidrocarbonetos em óleo mineral usados em
concentrações elevadas, na pele de trabalhadores expostos há muitos anos".
No
Brasil, segundo Albertoni Martins, é importante ressaltar a atividade de
frentista, onde os trabalhadores estão expostos aos riscos provocados pelo
contato com hidrocarbonetos aromáticos através dos combustíveis e óleos
lubrificantes comercializados em postos e serviços. "Nesses ambientes é
possível identificar o contato do trabalhador com os produtos químicos durante
a atividade de abastecimento de veículos, lubrificação, manuseio de partes contaminadas
do motor para medir níveis de óleo e água, lavagem de veículos e contato com
panos e estopas contaminadas".
"Dessa
forma - afirma o engenheiro - é relevante ressaltar a importância da prática
sobre as ações de controle da insalubridade nos postos de combustíveis e
serviços, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir
no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente do trabalho
e recursos naturais para a prática do trabalho seguro com
sustentabilidade."
Publicado
em 16/04/2012 / Fonte: Jornal Agora MS (http://www.protecao.com.br/noticias/doencas_ocupacionais/benzeno,_inimigo_lento_e_mortal_dos_frentistas/J9jjAAy5/3662)
Em suma, o engenheiro de segurança do trabalho Albertoni
Martins da Silva Júnior está buscando, é justamente, o quê rege o Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, que tem por finalidade definir uma
metodologia de ação para garantir a preservação da saúde e integridade dos
trabalhadores face aos riscos existentes nos ambientes de trabalho.
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